| By Rogério Mello,
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A média da remuneração das mulheres metalúrgicas avança a cada ano mais rapidamente que a dos homens, mas ainda é largo o fosso salarial entre elas e eles no chão de fábrica das indústrias do Grande ABC.
Levantamento da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com base em dados do Rais (Relatório Anual de Informações Sociais), mostra que o rendimento das mulheres saltou de 5,3 salários mínimos em 1989 para 7,2 em 2003, uma expansão de 36%. No mesmo período, a renda dos metalúrgicos homens cresceu 20% – saltou de 9,2 para 11,1 mínimos.
Mesmo assim, como os números demonstram, a desigualdade salarial entre os gêneros persiste. Ainda que caminhe a passos mais largos, a remuneração das mulheres metalúrgicas na região ainda está longe de alcançar a dos homens – é, na média, 35% inferior.
A situação é um pouco melhor se comparada com a do cenário nacional da categoria, no qual as mulheres ganham 39,5% menos que os homens, de acordo com a CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos). No entanto, a economista Zeíra Mara Camargo, da subseção do Dieese na região, ressalta que o crescimento da renda da mulher no Grande ABC é resultado das lutas trabalhistas.
“Esse número é fruto de negociações, que não foram poucas na região”, lembra. Segundo ela, os dados são positivos principalmente porque essas mulheres estão inseridas numa categoria integrada predominantemente por homens (87%). “Temos uma cultura masculina nas fábricas”, afirma.
De modo geral, na indústria metalúrgica do país, nem mesmo em funções ocupadas majoritamente por mão-de-obra feminina há igualdade de salário. Números da CNM revelam que na função de telefonista o rendimento da mulher é 17% inferior ao do telefonista homem. Uma engenheira recebe em média 19% menos que um colega com igual formação acadêmica e profissional.
Segundo a economista do Dieese Patrícia Lino Costa, o mercado formal tem um protótipo de trabalhador: homem, branco, com idade entre 25 e 40 anos. “Qualquer perfil diferente vai encontrar mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho”, alerta. Justamente por isso, segundo ela, as mais altas taxas de desemprego se encontram concentradas entre jovens, idosos e mulheres.
Patrícia lembra que o ingresso da mulher no mercado de trabalho se dá fortemente a partir da década de 1980 e se consolida nos anos 1990. Para ela, a emancipação feminina e a busca de renda para complementação do orçamento familiar são fatores que justificam e estimulam a presença cada vez mais expressiva das mulheres no mercado de trabalho. Os anos de estudo das mulheres ilustram essa busca pela emancipação, avalia a economista. “As mulheres estudam mais em comparação com os homens e buscam colocação.” Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres estudam em média 7,5 anos, enquanto os homens passam 6,5 anos nos bancos da escola. Frente a esse cenário assimétrico, a socióloga e pesquisadora da CNM/Dieese Adriana Marcolino aponta questões culturais como os principais entraves para a promoção da igualdade entre os gêneros. “Esse quadro do mercado de trabalho é reflexo das relações desiguais entre homens e mulheres na sociedade.”
A socióloga critica a classificação de certas atividades da indústria metalúrgica por sexo. “No imaginário coletivo certas funções são para mulheres ou para homens. Trabalho pesado não é bom para ninguém”, destaca. Adriana cita os serviços domésticos como trabalho “pesado” executado por mulheres.
Para reduzir as desigualdades, a pesquisadora destaca a importância da participação das mulheres no sindicalismo porque os homens – maioria no movimento e na categoria – acabam não atentando para reivindicações de interesse das metalúrgicas. Hoje, 60% dos acordos coletivos, segundo ela, apresentam cláusulas “femininas”, mas apenas relativas à maternidade. “Não existem artigos que garantam isonomia salarial e igualdade de acesso a cargos.”
(Fonte: Diário do Grande ABC) Edição número 357
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