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África e Mutilação Genital das Mulheres PDF  | Imprimir |
 

By Rachel Moreno,

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  Garotas fogem de casa para escapar de circuncisão no Quênia
 
 
Os rituais costumam ocorrer entre novembro e dezembro no Quênia
Pelo menos 300 meninas no sul do Quênia fugiram de suas casas e buscaram refúgio em igrejas para tentar escapar de rituais de mutilação genital feminina, de acordo com a polícia queniana.
Fontes policiais da província de Nyanza disseram à BBC que meninas de até nove anos de idade estão refugiadas nas duas igrejas, que funcionam como centros de apoio às meninas na região.

A mutilação genital feminina, ou circuncisão, é proibida no Quênia, mas continua sendo praticada em áreas rurais do país, onde é considerada um rito de passagem para a vida adulta.

Os rituais acontecem geralmente entre novembro e dezembro.

Tradição

A polícia vem protegendo as duas igrejas para impedir que as garotas sejam removidas.

Segundo a integrante do governo local e ativista em defesa dos direitos das mulheres, Beatrice Robi, cerca de 200 meninas vêm sendo circuncidadas por dia, inclusive uma de sete anos de idade teve seus órgãos genitais mutilados.

"Um número ainda maior de garotas, que estão em suas casas, estão sendo mutiladas, seja voluntariamente ou à força", disse ela.

O administrador do distrito de Kuria, Paul Wanjama, disse que, geralmente, as meninas fogem de casa nesta época, esperando o fim da temporada.

"Alguns dos pais são contra (a mutilação) mas são pressionados pelos tradicionalistas", disse ele.

Números

Perda do prazer sexual, infecções urinárias, relações sexuais dolorosas e infertilidade estão entre as conseqüências da mutilação para a saúde das mulheres, sem contar uma série de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

A prática é justificada como forma de promover a virgindade, a fertilidade e prevenir a promiscuidade feminina.

A cada ano, cerca de 2 milhões de mulheres são vítimas de algum tipo de mutilação genital em todo o mundo, a maioria na África.

Estima-se que cerca de 130 milhões de mulheres vivam com o clitóris e os lábios vaginais parcialmente ou totalmente removidos.
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Atualizado às: 08 de agosto, 2008 - 21h14 GMT (18h14 Brasília) 
 

  
Médico faz campanha para reverter mutilação genital feminina
 
Gabriela Torres
De Barcelona para a BBC Mundo
 
 
 
Anistia estima que 2 milhões de garotas são mutiladas por ano
Um médico espanhol encabeça campanhas para reverter a mutilação genital feminina, uma prática comum em diversos países da África.
O ginecologista Pere Barri Soldevilla, do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Reprodução do Institut Universitari Dexeus, em Barcelona, decidiu oferecer a técnica a imigrantes africanas após concluir sua especialização em cirurgia ginecológica em Paris.

"A idéia era realizar a primeira intervenção em 2007, quando iniciamos a campanha nos meios de comunicação para atrair voluntárias", disse à BBC Barri Soldevilla. Ninguém apareceu.

Só depois de uma segunda campanha, realizada este ano, 12 mulheres se apresentaram – destas, duas já foram operadas em maio.

"Não vieram mais pacientes porque é preciso levar em conta que essas mulheres consideram normal a mutilação", afirma o especialista.

"As que o fizeram são da segunda geração ou vieram (para a Espanha) quando eram muito pequenas e querem se integrar totalmente à sociedade."

Recuperação

Segundo os especialistas, 75% das mulheres que se submetem à cirurgia recuperam, em distintos graus, a sensibilidade de seus órgãos genitais.

Mas é um processo que requer tempo. Embora a paciente já possa voltar para casa 24h após a operação, o tratamento que se sucede inclui controles quinzenais durante os primeiros meses.

"Neste período, se comprova a sensibilidade através do tato", explica o médico.

Os médicos eliminam o tecido cicatrizado da zona mutilada, localizam o final do clitóris com os nervos implicados na sensibilidade sexual e extirpam a fibrose, deixando o tecido o mais novo e protegido por epitélio possível.

Cerca de 90 dias depois o clitóris está totalmente recoberto, mas ainda sensível ao toque.


  Como mulheres, antes da intervenção elas sabem o que falta. O que custa é aprender sobre sua sexualidade uma vez que recuperam a sensibilidade.

 
Pere Barri Soldevilla, ginecologista

Antes e depois da cirurgia, as pacientes são submetidas a avaliações psicológicas para determinar sua qualidade de vida sexual.

A intervenção serve não apenas para recuperar (ou adquirir) sensibilidade sexual, mas corrigir problemas experimentados por mulheres que passaram por mutilações radicais.

Nestes casos são afetadas outras funções, como a urinária. As mulheres também podem sofrer de infertilidade – como produto de infecções internas –, ter dificuldades na menstruação, sentir dores durante o ato sexual e ter problemas durante a gravidez e o parto.

"Não se trata de uma intervenção estética", diz Barri Soldevilla. Para ele, trata-se de melhorar a saúde e a qualidade de vida de centenas de mulheres que vivem na Espanha.

Prática cultural

Entretanto, a prática, realizada gratuitamente, não pode ser exportada para a África nem oferecida a mulheres que não vivam na Espanha, porque a mutilação forma parte da cultura de muitos países, nos quais mulheres com o clitóris intacto são repudiadas.

"No Senegal, por exemplo, a que não tiver feito (a mutilação) é colocada de lado", afirma o médico. Ele diz que o mais bonito do projeto "é ver como as mulheres vão recuperando sua sexualidade".

"Como mulheres, antes da intervenção elas sabem o que falta. O que custa é aprender sobre sua sexualidade uma vez que recuperam a sensibilidade", afirma.

Ou seja, começam a experimentar uma série de sensações, mas não sabem se chegaram ao limite ou se ainda lhes falta aprender.

Em breve, outras dez mulheres africanas esperam ser operadas em Barcelona. Um número ainda pequeno, considerando dados da organização Anistia Internacional, que estima que a cada ano 2 milhões de meninas são submetidas à mutilação genital.

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 Atualizado às: 29 de junho, 2007 - 12h21 GMT (09h21 Brasília)
 
  
Egito fecha clínicas de circuncisão feminina
 
Andrea Wellbaum
Do Cairo
 
 
 
Menina tem parte do clitóris e dos lábios vaginais removidos
Após a proibição da circuncisão feminina, anunciada pelo Ministério da Saúde do Egito nesta quinta-feira, 36 clínicas particulares foram fechadas no Estado de Minya, no centro do país.
O governo egípcio decidiu proibir a circuncisão depois que uma menina de 12 anos morreu na semana passada, durante uma operação em uma clínica particular em Minya.

O incidente levou vários grupos de defesa de direitos humanos a reforçarem a pressão contra o governo egípcio para banir a prática.

De acordo com um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência) de 2005 sobre a mutilação genital feminina, 97% das mulheres de 15 a 49 anos no Egito tinham sido submetidas à operação.

“Qualquer circuncisão será considerada uma violação da lei e todas as contravenções serão punidas”, afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde, acrescentando que a proibição é “permanente”.

Proteção da castidade

A operação, que consiste na remoção de parte do clitóris e dos lábios vaginais, serviria para diminuir o desejo sexual feminino e é considerada por famílias conservadoras uma forma de proteger a castidade da filha.

Tanto garotas muçulmanas como cristãs são submetidas à circuncisão no Egito e no Sudão, especialmente nas áreas rurais destes países.

A prática também é comum na Eritréia, Etiópia e Somália, mas é rara no mundo árabe.

Há vários anos, a primeira-dama do Egito, Susanne Mubarak, vem se manifestando contra a circuncisão feminina, dizendo que a operação é um exemplo da violência física e psicológica contínua contra crianças.

Ceticismo

As autoridades religiosas do Egito também repudiaram a prática.

Após a morte da menina de 12 anos, o grande mufti do Egito, o árbitro oficial do governo sobre a lei islâmica, disse que a “mutilação genital feminina é proibida”.

O grande xeque da mesquita Al-Azhar, no Cairo, Mohammed Sayed Tantawi, também disse que a prática é “anti-islâmica” e que o Alcorão não exige a mutilação genital feminina.

O líder da comunidade cristã egípcia, o papa Shenouda, também afirmou que a Bíblia não menciona a prática.

Apesar de todas as declarações e da proibição do governo, o diretor-executivo da Rede Árabe para Informação sobre Direitos Humanos, Gamal Eid, se mostrou cético em relação ao fim da mutilação.

“O governo não é sério no combate da prática e fechar estas clínicas é uma forma de dizer que está tudo sob controle”, afirmou Eid.

Ele lembra que o governo já tinha anunciado uma série de restrições à circuncisão em 1996, após uma menina de 11 anos ter morrido durante uma operação, “mas elas nunca foram implementadas na prática”.

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Polícia tenta impedir mutilação genital em Londres
 
 
A modelo Waris Dirie faz campanha contra a mutilação genital
A polícia de Londres está fazendo uma campanha para combater a prática da mutilação genital feminina em comunidades de imigrantes na capital britânica.
Uma recompensa de 20 mil libras, o equivalente a cerca de R$ 80 mil, está sendo oferecida a quem tiver informações que possam levar à prisão dos envolvidos.

A campanha começa no período de férias escolares de verão, quando aumenta o risco de mutilação para as meninas, principalmente de origem africana.

Os meses de férias são vistos como a melhor época para se realizar o procedimento, já que o tempo longe das salas de aula é geralmente suficiente para que as meninas se recuperem.

A mutilação genital consiste na retirada total ou parcial da genitália externa feminina por razões culturais.

Pureza

A prática é muito comum em diversas comunidades africanas, principalmente muçulmanas, e é vista como uma iniciação à vida adulta e uma maneira de manter as meninas "puras", garantindo que elas consigam casar.

Na Grã-Bretanha, cerca de 7 mil meninas correm risco de serem circuncidadas, apesar de uma nova lei de 2003, que além de reafirmar a proibição da prática no país, também torna crime levar crianças para o exterior para realizar a mutilação.

Uma assistente social que trabalha com jovens de comunidades africanas em Londres diz que o costume é tão tradicional que ela já encontrou meninas que queriam ser circuncidadas.

"Você quer ser parte da comunidade. Quer se casar e não quer ser considerada suja", diz Leyla Hussein.

Favor

A modelo Waris Dirie, nascida na Somália, passou pela experiência da mutilação quando tinha apenas cinco anos.

Sua mãe a segurou sobre uma pedra, enquanto outra mulher cortou partes de sua genitália com uma lâmina de barbear, sem usar nenhum anestésico.

O que sobrou foi então costurado com uma linha grossa, deixando apenas um pequeno buraco para que ela pudesse urinar.

A agonia da mutilação foi, em parte, responsável pela decisão de Waris de deixar a comunidade em que nasceu, no deserto da Somália, e fugir para Londres.

Mas mesmo depois de uma bem-sucedida carreira como modelo e diversas cirurgias plásticas, ela diz que nunca vai esquecer o que passou.

"Todo dia eu luto para entender por que isso aconteceu comigo", diz ela.

"Tenho certeza de que minha mãe achava que estava me fazendo um favor. De qualquer jeito, não acho que ela tivesse escolha. Aquela era uma sociedade em que os homens mandavam. Minha mãe estava apenas obedecendo. Essa era a regra."

Waris Dirie se tornou uma das maiores ativistas contra a mutilação genital feminina no mundo. Há onze anos ela lidera campanhas tentando conscientizar as pessoas sobre a existência da prática, que ainda atinge cerca de 3 milhões de meninas todos os anos.

A mutilação pode ter efeitos como infecção, incontinência, infertilidade e perda do prazer sexual, além de problemas psicológicos significativos.

Diversos países baniram o costume recentemente. O Egito, onde quase 90% das mulheres são circuncidadas, proibiu a prática há poucas semanas, depois que uma menina de 12 anos morreu em conseqüência da mutilação.

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Atualizado às: 02 de novembro, 2006 - 04h44 GMT (01h44 Brasília)
 

Tribunal dos EUA condena imigrante por mutilação genital feminina
 
 
A circuncisão feminina é uma prática tradicional em algumas comunidades africanas
Um tribunal no Estado americano da Geórgia condenou um imigrante etíope a 10 anos de prisão pela mutilação genital de sua filha de dois anos de idade. Esse é o primeiro caso do tipo nos Estados Unidos.
Khalid Adem, que removeu o clitóris da filha com uma tesoura em 2001, foi condenado por agressão e crueldade. Ele negou a acusação, dizendo que não aprovava a prática.

A ativista dos direitos da mulher Taina Bien-Aime, do grupo Equality Now, afirmou que a decisão é uma vitória contra a mutilação genital feminina. A prática é comum em comunidades tradicionais africanas, onde é considerada um meio de preservar a honra feminina.

Adem, de 30 anos, chorou ao receber a sentença.

Em um testemunho gravado em vídeo, a menina, que tem hoje sete anos de idade, afirmou que seu pai havia lhe "cortado nas partes íntimas".

A mãe da menina, Fortunate Adem, disse que só descobriu a mutilação dois anos depois.

"Foi uma violação de seus direitos como criança, como mulher e, principalmente, como ser humano. Ela nunca será a mesma", afirmou a mãe no tribunal, segundo uma gravação divulgada pela emissora local de rádio WSB.

Segundo o grupo Equality Now, esse é o primeiro caso documentado de mutilação genital feminina nos EUA.

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde condena a prática, afirmando que causa infecção, "dor estarrecedora" e ferimentos graves de longo prazo.

 

 
 

 


 

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